Nós Somos as Melhores! – Dir Lukas Moodysson – 2013

vi-ar-bast-poster (566x800)Um conto de formação com espírito punk. Essa seria a melhor definição para “Nós Somos as Melhores!”, longa que acompanha o cotidiano de três amigas de apenas 13 anos de idade, na Suécia do início dos anos 80, que, entre seus dias de monotonia fora da escola, resolvem formar uma banda de punk rock. Em um registro leve e aparentemente despretensioso, o diretor sueco Lukas Moodysson (“Amigas de Colégio”, “Para Sempre Lilya”) utiliza o gênero que revolucionou o meio musical no final da década de 70 como o fio condutor para falar sobre os dilemas da pré-adolescência e as dificuldades do amadurecimento.

A relação com os pais, muitas vezes ausentes, o convívio social do ambiente escolar, a primeira paixão, a formação de uma consciência política. Todos estes conflitos e descobertas são apresentados traçando um paralelo com as principais características do estilo imortalizado por expoentes como os Ramones, New York Dolls, Sex Pistols e The Clash (ainda que a trilha sonora do longa tenha um foco quase exclusivo em bandas suecas da época). Com isso, Moodysson encontra espaço para falar dos temas mais caros ao punk, como contestação política, desigualdade e deslocamento social, religião, etc.

A estética naturalista adotada pelo cineasta também vai de encontro aos preceitos do punk, com sua simplicidade de três acordes, em que a atitude é tão ou mais importante do que a técnica. Para isso, Moodysson utiliza uma câmera na mão em constante movimento, captando com intensidade, através de closes constantes, as expressões, gestos e falas de suas excelentes atrizes-mirins (Mira Barkhammar, Mira Grosin e Liv LeMoyne), que conseguem transmitir uma grande veracidade em suas atuações. A maneira como o filme mostra a rebeldia das garotas contra as convenções de seu universo particular é extremamente divertida e cativante.

VI ÄR BÄST!

Há sempre um certo clima de ingenuidade nas atitudes das personagens, como quando elas resolvem compor sua primeira canção, afirmando que, por serem punks, devem falar sobre a luta de classes e as adversidades do mundo, como a fome na África, por exemplo. Esse pensamento, à primeira vista pueril, parece inerente a qualquer pessoa ou movimento que acredita ser realmente possível mudar o mundo e promover revoluções através da arte. É preciso de pureza para crer em ideais, e este sentimento transparece no filme o tempo todo de forma bastante sincera.

E é essa sinceridade a grande qualidade do trabalho de Moodysson, capaz de se sobrepor a qualquer fragilidade na construção do roteiro, como o tratamento simplista dado a algumas situações e personagens secundários, como os pais das garotas. É daí que o diretor tira forças para realizar um sensível e tocante libelo à amizade, na melhor tradição de longas como “Conta Comigo”, de Rob Reiner.

Vi är bäst! Foto: Sofia Sabel

Para Moodysson, enquanto houver qualquer pessoa que se levante contra as imposições e os padrões da sociedade, sejam eles de qualquer espécie, o espírito do punk nunca morrerá. Assim como as verdadeiras amizades.

Por Leonardo Ribeiro

Anúncios

Sobre Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Da tentativa de unir minha profissão e minha paixão nasceu o Blog, com o sonho de que as duas coisas tornem-se uma só. Quem sabe assim poderei multiplicar a DVDteca de 500 para 5.000 títulos. Escrevo também para o site Cult Cultura e estou sempre em busca de aprimorar o meu conhecimento na sétima (e minha favorita) arte. Ver todos os artigos de Leonardo Ribeiro

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: