Os Piores Filmes de 2012

Um dos motivos por ter achado o ano passado tão bom para o cinema, foi que fugi de algumas produções que poderiam ser consideradas bombas por antecedência. Sendo assim, até que foi difícil selecionar os filmes que menos gostei. Boa parte nem chega a ser péssima, é apenas fraca ou simplesmente decepcionante. Então sem mais delongas, segue a lista com os 10 piores filmes de 2012:

10 ) Conspiração Americana – Dir. Robert Redford – EUA – 2010

O evento histórico é interessante, o julgamento dos membros da conspiração por trás do assassinato de Abraham Lincoln, mas Redford pesa a mão no patriotismo e na sua tentativa de traçar um paralelo com a política do terror da era Bush. Personagens caricatos e mudanças repentinas de comportamento, em especial de seu protagonista, afundam as boas intenções do diretor.

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9) Para Ellen – Dir. So Yong Kim – 2012

Depois do ótimo “Treeless Mountain”, a diretora sul-coreana resolveu realizar o seu novo filme nos EUA e o resultado é bem abaixo do esperado. As belas imagens criadas por Kim buscam algo para contar, mas nunca encontram. A falta de conflitos interessantes e de coadjuvantes relevantes joga o peso nas costas de Paul Dano, que se esforça, mas não o suficiente para salvar o filme. Só se salva a garotinha que interpreta a filha. Uma grande decepção.

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8) Hemel – Dir. Sacha Polak – Holanda – 2012

Assim como a sua personagem principal, que pula de uma relação puramente sexual e sem significado para outra, o filme faz o mesmo com suas sequências sem chegar a lugar algum. Assuntos que poderiam render algo, como a estranha relação entre pai e filha, ou o suicídio da mãe de Hemel, são tratados superficialmente. A atriz principal se entrega ao papel nas cenas mais ousadas, mas falta o mínimo de profundidade a personagem.

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7) Boca – Dir. Flávio Frederico – Brasil – 2011

A ótima parte técnica (fotografia, figurinos, reconstituição de época, etc) é derrubada por um roteiro que busca um ar de “Os Bons Companheiros” para narrar a trajetória de um criminoso (infância, ascensão e queda), mas nunca consegue chegar perto do tom épico do filme de Scorsese. Diálogos fracos e alguns momentos risíveis também acabam com o bom elenco. Um desperdício de Hermila Guedes.

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6) Apenas Uma Noite – Dir. Massy Tadjedin – EUA – 2010

O ponto de partida poderia render um bom filme, mas isso só acontece em partes. Ao dividir sua trama em dois núcleos, o filme acaba desequilibrado, já que um desses núcleos é bem mais interessante do que o outro. Some a isso alguns tiques visuais irritantes da diretora estreante, Tadjedin, e a falta de talento de Sam Warthington e as pretensões de “Apenas Uma Noite” acabam rapidamente. Nem Eva Mendes salva!

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5) O Corvo – Dir. James McTeigue – EUA – 2012

Pela primeira vez sem a supervisão dos irmãos Wachowski, o diretor James McTeigue tenta transformar Edgar Allan Poe em herói de ação, como Guy Ritchie fez com Sherlock Holmes, utilizando seus contos para fazer uma versão de “Jogos Mortais” do século 19. Uma grande bobagem, que muitas vezes diverte involuntariamente, em especial pela atuação caricata de John Cusack, em um papel que o Nicolas Cage provavelmente deve ter recusado por falta de tempo na agenda.

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4) 360 – Dir. Fernando Meirelles – Reino Unido/França/Brasil – 2011

Meirelles adere à moda dos filmes-mosaico e se perde em suas múltiplas tramas. Se o roteiro se esforça para conectar todas as histórias de alguma forma, a conexão com o público não tem o mesmo sucesso. Com exceção de alguns segmentos, como o que envolve Hopkins, Maria Flor e Ben Foster, onde o cineasta cria alguma tensão e é ajudado pelas atuações, o filme quase nunca consegue ser satisfatório. A metáfora do ciclo que se fecha e recomeça, além de batida, já foi mais bem explorada.

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3) Keyhole – Dir. Guy Maddin – Canadá – 2011

O canadense Maddin continua com suas obsessões pelo cinema mudo, em especial o Expressionismo Alemão. Mas não importa quantos truques visuais utilize, aqui o diretor parece incapaz de contar uma história. O filme é um delírio absurdo e criptografado. Em alguns momentos parece possível tentar tirar algum significado do que se passa, mas aí o filme se fecha novamente em seu universo bizarro e por vezes de mau gosto. Indecifrável e impenetrável para o público, o longa parece ter sido feito apenas para o deleite de seu realizador.

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2) O Vingador do Futuro – Dir. Len Wiseman – EUA – 2012

Seria apenas mais um blockbuster sem grandes pretensões e até divertido, não fosse o remake de um dos filmes mais icônicos da obra do grande holandês Paul Verhoeven e do cinema de ficção científica. Tudo aqui é genérico. As cenas de ação são repetitivas, as mudanças feitas em relação ao original só enfraquecem a trama e mesmo que Farrell tente, não possui o carisma canastrão de Schwarzennegger. Bryan Cranston é desperdiçado, enquanto Biel, e principalmente Beckinsale, são as melhores coisas na tela. A comparação com o filme de 1990 chega a ser covardia.

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1) Na Estrada – Dir. Walter Salles – Reino Unido/França/EUA/Brasil – 2012

É fato que adaptar um livro tão fundamental quanto “On The Road”, de Jack Kerouac, não é tarefa fácil. Por isso mesmo, não deveria ter caído nas mãos de um cineasta tão apático quanto Salles. Com um respeito exagerado pela obra e total falta de ousadia, a adaptação feita pelo diretor brasileiro em momento algum consegue transmitir as sensações de sua fonte. Não há emoções e os personagens parecem não correr nenhum risco. Talvez seja o filme sobre liberdade e contracultura mais burocrático da história. Salles aposta tudo na bela fotografia e trilha sonora para transmitir sentimentos e raramente consegue algum efeito. O elenco principal faz o que pode, e enquanto alguns coadjuvantes brilham (Mortensen), a maioria é desperdiçada. A personagem de Alice Braga chega a ser uma piada. Quem sabe um dia alguém como Cronenberg pense realizar a sua versão. Aí sim, talvez tenhamos um resultado digno.

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Menções Desonrosas:  

Histórias Cruzadas (O filme mais superestimado da última temporada de prêmios norte-americana) / O Espetacular Homem-Aranha (É divertido, mas merece a menção por ser totalmente desnecessário e contar novamente a origem do personagem) / Cavalo de Guerra (O que Spielberg acertou no divertido “As Aventuras de Tin Tin”, errou nesse drama piegas e exagerado) / A Dama de Ferro ( Meryl Streep a serviço do nada) / A Vida de Outra Mulher ( Juliette Binoche ótima como sempre e só)

Por Leonardo Ribeiro

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Sobre Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Da tentativa de unir minha profissão e minha paixão nasceu o Blog, com o sonho de que as duas coisas tornem-se uma só. Quem sabe assim poderei multiplicar a DVDteca de 500 para 5.000 títulos. Escrevo também para o site Cult Cultura e estou sempre em busca de aprimorar o meu conhecimento na sétima (e minha favorita) arte. Ver todos os artigos de Leonardo Ribeiro

3 respostas para “Os Piores Filmes de 2012

  • Marcel Jabbour

    Adorei as listas de melhores e piores. Não vi todos, mas, dos que vi, concordo em quase tudo. Nos piores, especialmente triste pelo 360, que tinha tudo pra ser um filmão. Acrescentaria ainda Prometheus, que não é terrível, mas me decepcionou um pouco (por ter R. Scott e aliens, fez eu criar uma grande expectativa também=)). Só discordo de sua opinião sobre Na Estrada e sobre o Walter Salles. Gosto bastante dele, embora tenha achado o filme, de fato, irregular em algumas partes. Mas seus argumentos fazem bastante sentido. Discordo em partes, mas respeito sua opinião.

    Parabéns pelo blog! Ganhou um leitor!

    Abraços

    PS:. Driver é SENSACIONAL

    • Leonardo Ribeiro

      Obrigado, Marcel! Listas sempre geram algumas discordâncias mesmo. Concordo que Prometheus foi um pouco decepcionante, mas ainda gosto de algumas sequências específicas. Já o “Na Estrada” foi decepção completa. Na verdade só não foi maior, pois realmente não curto o trabalho do Salles, não esperava muito mais dele. Acho que ele conduz muito bem seus atores e joga todo o peso de seus filmes neles. Ousa muito pouco. Às vezes até consegue fugir do comum, em Abril Despedaçado, por exemplo. Só que ainda acho pouco, principalmente para uma obra como a do Kerouac. Mas opiniões servem para isso, para serem discutidas hehe
      Continue visitando o blog
      Abraço

  • bluevelvetblog

    Tô com o Marcel J. !! Gostei muito das listas Léo 🙂 E exatamente como ele colocou..acho até que enfatizaria mais aqui..o lado negativo de 360, eu detestei rs. Mas Na estrada eu gostei bastanteeee apesar de todos os aspectos irregulares! Essas listas são difíceis de fazer, né? beijos

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