Os Melhores Filmes de 2012

Para o cinema, o ano não poderia ter sido melhor. Uma grande variedade de grandes filmes foi lançada em nossas salas. Como foi difícil deixar muita coisa de fora, segue aqui um Top 30 e mais algumas menções honrosas:

30) Tomboy – Dir. Céline Sciamma – França – 2011

Em seu segundo longa, a diretora Céline Sciamma aborda o tema da sexualidade na infância com delicadeza e muita sensibilidade. Destaque para a naturalidade de todo o elenco infantil.

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29) O Hobbit: Uma Jornada Inesperada – Dir. Peter Jackson – EUA – 2012

Jackson reafirma o seu domínio sobre o universo criado por Tolkien e também sobre a narrativa aventuresca. Poucos sabem como construir o clima de fantasia e como utilizar tão bem os avanços tecnológicos para criar cenas de ação, como o diretor neozelandês.

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28) Elefante Branco – Dir. Pablo Trapero – Argentina – 2012

Trapero continua a tratar sobre os temas políticos e sociais da Argentina. Dessa vez ele escolhe um universo particular e reduzido, o de uma grande favela de Buenos Aires, para expandir suas obervações sobre a sociedade em seu país ( e no mundo). Mais uma grande atuação do onipresente Darín.

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27) Tiranossauro – Dir. Paddy Considine – Reino Unido – 2011

Em sua estreia na direção, o ator Paddy Considine narra a história de personagens problemáticos e humanos. Não existem heróis ou vilões, pessoas completamente boas ou ruins, todos tem suas duas faces. Narrado com aspereza e sem fazer julgamentos ou concessões, Considine parece não acreditar que exista algum tipo de redenção. Atuação monstruosa de Peter Mullan.

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26) Um Verão Escaldante – Dir. Philippe Garrel – França – 2011

Mais uma amostra da visão de Garrel sobre os relacionamentos, bem como sobre o papel da musa na obra de um artista. E quando essa musa é Monica Bellucci, tudo fica mais fácil de ser compreendido.

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25) Deus da Carnificina – Dir. Roman Polanski – EUA – 2011

O impecável domínio cênico de Polanski permite com que ele fuja habilmente do perigo do “teatro filmado” ao levar para as telas a peça de Yasmina Reza. Os diálogos afiados, assim como os quatro protagonistas, completam as qualidades de um filme menor do cineasta, mas nem por isso desprezível.

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24) A Primeira Coisa Bela – Dir. Paolo Virzì – Itália – 2010

Com uma mistura bem balanceada de drama e humor, Virzì honra a grande tradição das tragicomédias italianas dos anos 60 e 70 de Monicelli, Risi e Comencini. Uma ótima mostra de que o gênero ainda respira e com algum toque de frescor.

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23) 13 Assassinos – Dir. Takashi Miike – Japão – 2010

Mesmo se tratando de um remake, Miike consegue imprimir a sua marca em um gênero clássico do cinema japonês: os filmes de samurai. A maestria na condução das cenas de ação é absurda, algo raro hoje em dia no cinema americano, mas que os orientais parecem dominar com facilidade.

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22) Os Infratores – Dir. John Hillcoat – EUA – 2012

“Os Infratores” vem para reforçar  a condição de Hillcoat como um dos diretores mais interessantes da atualidade. O australiano sabe exatamente a diferença entre estilo e mera firula, dando sempre um tom cru e realista a cada cena. Um ótimo elenco e um baita filme.

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21) Histórias que Só Existem Quando Lembradas – Dir. Júlia Murat – Brasil – 2011

Poético e reflexivo, o trabalho de estreia de Júlia Murat mostra uma grande sensibilidade estética, construindo imagens de rara beleza. Essas imagens ajudam a criar um universo que parece extremamente distante de nós, mas que no fundo fala aos nossos sentimentos mais comuns.

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20) Intocáveis – Dir. Olivier Nakache e Eric Toledano – França – 2011

Um enorme sucesso mundial merecido. Utilizando uma fórmula bem comercial e americana, a dupla de diretores consegue criar um filme bastante sincero, que opta pelo humor quando poderia seguir o caminho mais fácil do drama barato. O carisma da dupla protagonista e um tom até um pouco politicamente incorreto completam a receita bem sucedida.

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19) O Que Eu Mais Desejo – Dir. Hirokazu Kore-eda – Japão – 2011

O olhar infantil sobre a fé em seu sentido mais puro, livre de qualquer conotação religiosa. Com seu estilo minimalista, Kore-eda realiza quase versão oriental de “Conta Comigo”. Um filme sobre esperança, com uma mensagem positiva e animadora. Algo incomum  e praticamente necessário nos dias de hoje.

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18) As Vantagens de Ser Invisível – Dir. Stephen Chbosky – EUA – 2012

Ao dirigir o filme baseado em seu livro de sucesso, Stephen Chbosky apresenta a familiaridade e a segurança necessárias para tratar os personagens criados por ele.  Com honestidade, o diretor dribla alguns clichês e realiza um drama de formação melancólico bem acima da média.

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17) Argo – Dir. Ben Affleck – EUA – 2012

Com uma história real inacreditável em mãos, Affleck realiza um tenso thriller político com boas pitadas de humor e de metalinguagem. Mesmo que as sequências em hollywood destoem das passadas no Irã, isso não prejudica o equilíbrio do longa, que é conduzido de forma exemplar pelo diretor (mostrando que seus acertos anteriores não foram mero acaso).

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16) La Noche de Enfrente – Dir. Raoul Ruiz – França/Chile – 2012

No último filme antes de seu falecimento, Ruiz realiza uma alegoria fantasiosa sobre a passagem do tempo e a morte. Repleto de cenas oníricas e surreais, “La Noche de Enfrente” é também um tratado sobre a criatividade e a arte. Um filme testamento de um verdadeiro artista.

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15) Outrage: Beyond – Dir. Takeshi Kitano – Japão – 2012

A violência, a ironia e o mundo da yakuza. Todos os elementos que transformaram Kitano em referência estão presentes novamente na continuação de “Outrage”. De todos esses, a ironia é o principal aqui. Kitano sabe exatamente como utilizar a seriedade dos filmes de máfia para não se levar a sério.

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14) J. Edgar – Dir. Clint Eastwood – EUA – 2011 

A direção impecável do Clint e a excelente atuação do Di Caprio já são mais do que suficientes para se sobrepor a qualquer problema com a maquiagem (motivo de reclamação de muitos). Basta rever a cena final, uma das mais belas do ano, para confirmar. Sinceramente não entendo o motivo da crítica estar pegando no pé do diretor ultimamente. Independente disso, é um mais grande filme do velho Clint.

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13) Habemus Papam – Dir. Nanni Moretti – Itália – 2011

Moretti transforma o Papa que teme assumir seu cargo em um ator com medo de palco, fazendo dessa figura um ser muito mais humano e crível. Há espaço ainda para analisar a situação econômica atual da Europa e a perda de poder do catolicismo para outras religiões. Um trabalho de quem tem uma visão bem particular da política e sempre tem algo relevante a dizer.

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12) Um Método Perigoso – Dir. David Cronenberg – EUA – 2011

Ainda que de forma mais sutil, Cronenberg espalha suas marcas e obsessões pela história real dos pais da psicanálise. Trocando o físico pelo psicológico, o canadense nos mostra que o terror que se passa em nossa mente pode ser tão assustador quanto a sua forma mais carnal, retratada em seus trabalhos anteriores.

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11) A Vida dos Peixes – Dir. Matías Bize – Chile – 2010

Utilizando um microcosmos tanto físico quanto temporal, o diretor chileno Matías Bize consegue expandi-lo para falar sobre escolhas, amores e decepções. Com uma ótima direção de atores e sem cair em um drama forçado, o filme nos apresenta uma situação tão real que qualquer um poderia se identificar. E isso realmente acontece da melhor maneira.

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10) No – Dir. Pablo Larraín – Chile – 2012

Larraín conclui a sua trilogia sobre a Ditadura Pinochet no Chile com uma obra sobre a eleição que tirou o general do poder. Utilizando uma estética de gravações de vhs dos anos 80, o diretor consegue atingir um tom quase documental que potencializa a força de sua obra. Um filme válido por seu registro histórico, sua ousadia visual e sua reflexão tanto do papel da política, quanto da publicidade.

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9) A Separação – Dir. Asghar Farhadi – Irã – 2011

O poder da trama de “A separação” consegue se sobrepor a qualquer barreira que poderia ser criada pela não compreensão total da cultura e da sociedade islâmica. Isso se deve graças a direção com mão firme, mas sensível quando necessária, de Farhadi e as grandes atuações dos dois casais protagonistas e da jovem que interpreta a filha.

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8) O Som ao Redor – Dir. Kleber Mendonça Filho – Brasil – 2012

Em sua transição dos curtas para os longas, Kleber Mendonça Filho cria um panorama extremamente realista da classe média brasileira (que corre o risco de não gostar nem um pouco do reflexo que vê na tela), e mesmo que algumas particularidades talvez sejam mais perceptíveis para o povo pernambucano, o filme consegue atingir um público bem abrangente. A fotografia, a edição e o espetacular trabalho de som completam o pacote de um filme poderoso.

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7) Moonrise Kingdom – Dir. Wes Anderson – EUA – 2012

“Moonrise Kingdom” é Wes Anderson elevando seu estilo e suas idiossincrasias a milésima potência. Adotando a perspectiva infantil  para contar sua nova história, o cineasta muda um pouco o olhar, mas mantém a profundidade de suas observações. Em um universo totalmente artificial, os personagens de Anderson surgem mais reais do que nunca.

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6) A Invenção de Hugo Cabret – Dir. Martin Scorsese – EUA – 2011 

Uma homenagem tocante não só ao mestre Georges Méliès, mas também a todos os pioneiros da linguagem cinematográfica. Scorsese explora as novas tecnologias (o 3D) da mesma maneira que Méliès explorava as técnicas de sua época. Feito para entreter a todos os públicos, mas para emocionar os apaixonados pela história do cinema em particular.

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5) Holy Motors – Dir. Leos Carax – França – 2012

A prova de que ainda existe muito a ser explorado na linguagem cinematográfica. Tanto em sua forma visual, como na narrativa. Carax constrói imagens impressionantes e inesquecíveis, que aliadas ao tour de force do ator Denis Lavant tornam “Holy Motors” a verdadeira experiência sensorial do ano. Um trabalho tão intrigante  quanto fascinante.

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4) Tabu – Dir. Miguel Gomes – Portugal – 2012

Outro filme que desafia os limites da narrativa convencional. Gomes faz uma belíssima homenagem ao cinema mudo, em especial a obra do diretor F.W. Murnau. Desde o título do filme, passando pelo nome da protagonista (Aurora) e pelas opções estéticas (fotografia em preto e branco, uso da janela 4:3), tudo remete ao cinema das décadas de 20 e 30. O grande trunfo do português é realizar  isso com extrema sinceridade, sem nunca soar artificial.

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3) Um Alguém Apaixonado – Dir. Abbas Kiarostami – Irã/Japão – 2012

Em sua nova obra-prima, Kiarostami vai ao Japão para falar sobre o passado, o futuro e a efemeridade dos relacionamentos atuais. Um recorte de história que começa e termina abruptamente, deixando diversas interpretações a disposição do espectador. Se Kiarostami não facilita as respostas, também não torna nada inatingível. Ele apenas nos faz pensar, e podemos agradecê-lo por isso.

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2) César Deve Morrer – Paolo & Vittorio Taviani – Itália – 2012

Os irmãos Taviani realizam uma mistura de documentário, documentário falso e ficção mais tradicional na história real de como detentos de uma prisão de segurança máxima na Itália utilizam a arte como uma maneira para a reabilitação, no caso uma encenação da peça “Júlio César”. Com isso, os diretores mostram que ainda é possível transpor Shakespeare para as telas de forma surpreendente e que ainda há muito a ser trabalhado na metalinguagem.

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1) Drive – Dir. Nicolas Winding Refn – EUA – 2011

Quando o estilo vai além de qualquer barreira e consegue transportar o espectador para um universo próprio, indefinido no tempo e espaço, mas com o poder de surpreender e levar um sorriso ao rosto daqueles que apreciam a sétima arte. O Reino da Dinamarca tem o seu real representante em Winding Refn. O filme do ano!

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Menções honrosas:

As Neves do Kilimanjaro / O Porto/ Os Vingadores / O Pai dos Meus Filhos / Medianeras / La Demora / Cosmópolis / Reality / Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios / Millenium /  O Gebo e a Sombra / Luz nas Trevas / O Espião Que Sabia Demais / Shame / Looper / Tudo o Que Desejamos / Caminho Para o Nada / A Kryptonita na Bolsa / 007 – Operação Skyfall / Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge / Era Uma Vez Eu, Verônica

Por Leonardo Ribeiro

Sobre Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Da tentativa de unir minha profissão e minha paixão nasceu o Blog, com o sonho de que as duas coisas tornem-se uma só. Quem sabe assim poderei multiplicar a DVDteca de 500 para 5.000 títulos. Escrevo também para o site Cult Cultura e estou sempre em busca de aprimorar o meu conhecimento na sétima (e minha favorita) arte. Ver todos os artigos de Leonardo Ribeiro

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