A Kryptonita na Bolsa – Dir. Ivan Cotroneo – 2011

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Os filmes sobre a infância e amadurecimento sempre foram uma tradição do cinema italiano. Esse tema continua tendo forte apelo nos dias de hoje e “A Kryptonita na Bolsa”, de Ivan Cotroneo, é um ótimo exemplo disso. Passado no final dos anos 60 e início dos 70, o filme conta a história de Peppi (Luigi Catani) um garoto de 9 anos e de sua excêntrica família. O adjetivo “excêntrico” serve não só para descrever os personagens, como também uma referência clara de “A Kryptonita na Bolsa”: o cinema de Wes Anderson. A ambientação retrô, a narração em off e toda a parte visual do filme remetem diretamente à estética indie criada por Anderson, deixando o longa muitas vezes com o sentimento de um “Os Excêntricos Tenenbaums” macarrônico. Mesmo sem ter o apuro e a rigidez na construção de planos, como nos filmes de sua inspiração, Cotroneo dirige com bastante segurança e inventividade em seu trabalho de estreia. Roteirista de filmes como “O Primeiro que Disse”, de Ferzan Ozpetek e “Um Sonho de Amor”, de Luca Guadagnino, o diretor também trabalha como jornalista da Revista Rolling Stone e a influência do rock em seu trabalho é facilmente notada. Seja na cena de toda a família dançando ao som de “Lust for Life” de Iggy Pop ou na mais bela sequência do longa, embalada por “Life on Mars” de David Bowie. Apesar de ter o garoto Peppi como personagem principal, todos os coadjuvantes ganham seus momentos de destaque.

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O pai polígamo (Luca Zingaretti), a mãe (Valeria Golino, sumida das produções hollywoodianas, mas muito ativa na Itália) que sofre em silêncio com a traição do marido e começa a se consultar com um psiquiatra, o tio que é tido como gênio pela família (mas está há mais de 5 anos estudando para uma prova que nunca acontece), o casal de tios hippies que parecem viver como personagens do musical “Hair’ ( a influência dos dois sobre Peppi rende algumas das maiores gargalhadas do filme), a amiga encalhada e por fim o primo Gennaro (Vincenzo Nemolato) que acredita ser o próprio Superman, daí o título do filme. Da relação entre os dois surgem os mais belos momentos do filme, pois Gennaro parece ser o único a compreender Peppi, um garoto excluído por ser tímido, ser solitário, usar óculos, etc. O jovem é querido, mas sempre acaba sendo deixado de lado por todos, incluindo sua mãe, e esse é o abandono que mais afeta o personagem. Escolhendo o caminho da fantasia e do bom humor, Cotroneo acerta em cheio e realiza um filme divertido, emocionante e criativo, que faria um excelente programa duplo com outro filme italiano sobre o mesmo tema “A Primeira Coisa Bela”. Um filme para se conferir e um diretor para ser acompanhado.

*Visto na programação do 8º Festival Pirelli de Cinema Italiano.

Por Leonardo Ribeiro

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Sobre Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Da tentativa de unir minha profissão e minha paixão nasceu o Blog, com o sonho de que as duas coisas tornem-se uma só. Quem sabe assim poderei multiplicar a DVDteca de 500 para 5.000 títulos. Escrevo também para o site Cult Cultura e estou sempre em busca de aprimorar o meu conhecimento na sétima (e minha favorita) arte. Ver todos os artigos de Leonardo Ribeiro

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