36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Post com “mini resenhas” dedicadas aos filmes conferidos na Mostra 2012. O post será atualizado conforme os filmes  assistidos:

 

Outrage: Beyond – Dir. Takeshi Kitano – 2012

Depois de experimentar a metalinguagem, realizando uma análise de sua carreira, e do próprio ofício de artista em três filmes (“Takeshis”, “Glória ao Cineasta” e “Aquiles e a Tartaruga”), o japonês Takeshi Kitano retornou aos filmes sobre a yakuza que o consagraram mundialmente com “Outrage” (presente na Mostra em 2010). Dois anos depois, Kitano dá continuidade à história do gangster Otomo, interpretado pelo próprio cineasta, em “Outrage: Beyond”. Já no primeiro filme, o tom adotado pelo diretor era o da ironia, e isso se repete na continuação. Kitano revisita o gênero do filme policial e de máfia com um olhar cínico, brincando com seus arquétipos e com a seriedade com que o tema geralmente é tratado (inclusive nos próprias incursões anteriores do diretor nesse tipo de filme). Kitano filma ação e violência com uma classe rara, trabalhando cada quadro e movimento de câmera cuidadosamente, mesmo nas sequências mais estilizadas, como a genial cena da máquina lançadora de bolas de baseball. Tudo isso culmina no ápice do cinismo do diretor em seu abrupto ato final. O cineasta ainda abre espaço para se autorreferenciar, como na sequência do elevador, que remete a célebre cena de “Sonatine”. Ainda que não seja uma obra-prima como “Hana Bi” ou “Brother”, esse novo trabalho faz jus à filmografia sólida de Kitano, e como é bom poder ver um filme seu na tela grande!

 

O Zelador – Dir. Katrine Wiedemann – 2012

Além de poder assistir filmes aguardados de grandes diretores e premiados nos principais festivais internacionais, o mais legal da Mostra de SP é o elemento surpresa. São aqueles bons filmes totalmente desconhecidos, que provavelmente nunca mais serão exibidos em lugar nenhum. A primeira grande surpresa da Mostra 2012 é esse “O Zelador”, da diretora Katrine Wiedemann. O filme conta a história de Per, o amargurado e mal-humorado zelador do título, que um dia encontra uma bela mulher nua e enrolada na cortina de um dos apartamentos do prédio onde trabalha. A linda loira não sabe falar, andar, mas sabe fazer uma coisa: transar. Além de ter prazer em fazê-lo, sempre carregando um sorriso no rosto, o sexo da garota tem o poder da cura, acabando com os problemas de coluna de Per e outros problemas de seus amigos. A agradável situação muda quando a notícia da curandeira do sexo se espalha e Per começa a nutrir sentimentos pela garota, tornando-se ciumento e possessivo. O estilo da diretora adota a câmera trêmula e ângulos estranhos que parecem não ter muito propósito. Mas a premissa inusitada, que é bem trabalhada pelo roteiro, a grande atuação de Lars Mikkelsen (irmão do ator Mads Mikkelsen) e a beleza da garota Julie Zangenberg, conseguem superar esses defeitos. É diferente, polêmico, dinamarquês, e graças a Deus, não é do Von Trier!

 

Reality – Dir. Matteo Garrone – 2012

Apesar de seu título, em “Reality” (Prêmio Especial do Júri em Cannes 2012) o diretor italiano Matteo Garrone abandona o estilo realista (quase documental) de seu sucesso anterior, “Gomorra”, para mergulhar em uma fantasia bem divertida sobre o mundo das celebridades instantâneas criadas pelo Big Brother. Além das boas piadas e de muita ironia, destaque para o ótimos planos-sequência que o diretor utiliza durante o filme. As atuações exageradas do elenco, assim como o seu final aberto, podem desagradar alguns, mas fazem total sentido dentro da proposta de fábula do cineasta. Um bom exemplar do cinema contemporâneo italiano.

 

Tabu – Dir. Miguel Gomes – 2012

Nessas horas eu queria realmente entender mais sobre cinema para poder tentar explicar melhor todas as qualidades de “Tabu”, do português Miguel Gomes. Sem esse conhecimento, resta dizer que é um dos mais belos filmes do ano e que o diretor consegue transformar coisas aparentemente simples e triviais em algo fantástico. E não é qualquer um que possui essa capacidade. Com muito humor, inventividade e sutileza, Gomes faz uma belíssima homenagem ao cinema mudo, em especial a obra do diretor F.W. Murnau. Desde o título do filme, homônimo ao do alemão, passando pelo nome da protagonista (Aurora) e pelas opções estéticas (fotografia em preto e branco, uso da janela 4:3), tudo remete ao cinema das décadas de 20 e 30. O grande trunfo de Gomes é realizar  isso com extrema sinceridade, sem nunca soar artificial. Filme incrível!

 

Entre o Amor e a Paixão – Dir. Sarah Polley – 2011

Ainda que às vezes se alongue um pouco em certas situações, “Entre o Amor e a Paixão” prova o talento da Sarah Polley como diretora. Sabendo mesclar bem o drama com a comédia romântica, Polley constrói um longa leve e divertido, mas que também consegue emocionar. Para ajudar, o filme ainda tem mais uma grande atuação da Michelle Williams, com certeza uma das melhores atrizes do momento. O comediante Seth Rogen também está ótimo em seu papel.

 

 

 

O Peso da Culpa – Dir. Lars-Gunnar Lotz – 2011

O filme alemão “O Peso da Culpa”, de Lars-Gunnar Lotz mostra a história de um jovem delinquente que se vê obrigado a enfrentar uma de suas vítimas. A trama forte é conduzida com segurança pelo diretor, ajudada pelo bom elenco jovem. O pecado do filme é a falta de ousadia do roteiro, que procura seguir uma linha realista, mas não apresenta nenhuma grande surpresa ou reviravolta. Apesar de bom, “O Peso da Culpa” poderia ser muito mais impactante. A exibição do filme na Mostra contou com a participação do diretor do longa.

 

 

Saudações de Tim Buckley – Dir. Daniel Algrant – 2012

“Saudações de Tim Buckley”, de Daniel Algrant, conta parte da história do expoente do folk/rock americano dos anos 60, Tim Buckley, e de seu filho Jeff Buckley. Focado principalmente no episódio do show tributo feito a Tim em 1991, e que acabou revelando ao mundo o talento de seu filho, o filme derrapa na criação de seus personagens visivelmente complexos e em estabelecer o relacionamento (ou a falta de) entre pai e filho. Ainda assim, a trágica história real (ambos morreram jovens no auge de suas carreiras), os bons momentos musicais e as competentes interpretações de Penn Badgley e Imogem Poots garantem o interesse. Uma boa chance também para o espectador descobrir o excelente trabalho de Tim e Jeff.

 

Por Leonardo Ribeiro

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Sobre Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Da tentativa de unir minha profissão e minha paixão nasceu o Blog, com o sonho de que as duas coisas tornem-se uma só. Quem sabe assim poderei multiplicar a DVDteca de 500 para 5.000 títulos. Escrevo também para o site Cult Cultura e estou sempre em busca de aprimorar o meu conhecimento na sétima (e minha favorita) arte. Ver todos os artigos de Leonardo Ribeiro

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