Os Vingadores – Dir. Joss Whedon – 2012

A história dos super-heróis no mundo do cinema é marcada por diversos altos e baixos. Os primeiros grandes sucessos vieram com “Superman” e “Superman II” no final dos anos 70, passando pelos dois primeiros “Batmans”, dirigidos por Tim Burton na década de 80 e começo da de 90. Depois disso, várias tentativas de levar outros heróis para a tela grande fracassaram de forma retumbante (“Capitão América”, “O Justiceiro”, “Spawn”, e até os filmes seguintes do Batman). As adaptações voltaram a cair no gosto do público no começo dos anos 2000, com os “X-Men” de Bryan Singer, os filmes do “Homem Aranha” de Sam Raimi e o “Batman” de Christopher Nolan. E novamente vieram as tentativas fracassadas de aproveitar esse sucesso (“Hulk”, “O Demolidor”, “Elektra”, “Motoqueiro Fantasma”, “Quarteto Fantástico”, entre outros). Observando esse cenário, a Marvel Comics decidiu criar o seu próprio estúdio cinematográfico, para assim poder manter os direitos sobre os personagens de seu universo e também controlar de perto a sua transposição dos quadrinhos para as telas.

Um projeto ambicioso, que tinha como objetivo apresentar (ou reapresentar em alguns casos) seus heróis ao grande público para, no final, uni-los em uma grande franquia: “Os Vingadores”. Os filmes “individuais” da Marvel alcançaram resultados diferentes. Ótimos (“Homem de Ferro”), regulares (“O Incrível Hulk” e “Capitão América”) e fracos (“Thor”). Mesmo com essa irregularidade, o estúdio conseguiu construir um padrão, e deixar um bom gancho para o filme que daria vida a sua equipe de heróis.

Desde o início desse projeto, a Marvel optou por um tom que misturava os filmes de “X-Men” (pelo fato da criação de uma equipe) e dos dois primeiros filmes do “Homem Aranha”. Deixando de lado o tom sombrio, existencialista e realista que fizeram o sucesso dos filmes do homem morcego dirigidos por Nolan, e apostando no humor e aventura dos filmes do aracnídeo dirigidos por Raimi. Para comandar suas produções, o estúdio escolheu nomes com menos status, mas que se mostraram entendidos e apaixonados pelo assunto, como Jon Fraveau e agora Joss Whedon. Uma escolha que se mostra acertada, pois esse cuidado com a origem do material aparece nas telas.

A missão de juntar tantos personagens em um filme era complicada. Para isso, os roteiristas criaram uma trama bem simples, utilizando os arcos deixados pelos filmes anteriores de cada herói. Em “Os Vingadores”, o vilão Loki (Tom Hiddleston, evoluindo no papel), busca dominar a Terra e vigar-se de seu irmão Thor. Para defender nosso planeta, a S.H.I.E.L.D liderada por Nick Fury (Samuel L. Jackson), resolve colocar em prática o projeto Vingadores, que busca criar uma equipe reunindo seres com capacidades especiais: Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Viúva Negra, Dr. Bruce Banner/ Hulk e o Gavião Arqueiro. Sem perder tempo com uma apresentação para os personagens (já que isso ocorreu nos outros filmes), a primeira parte mostra a criação da equipe e, como em todos os quadrinhos da Marvel, as desavenças internas que precisam ser resolvidas antes de enfrentar e derrotar o grande inimigo. Apesar de simples, o roteiro amarra bem a história, dando espaço para que todos os personagens tenham bons momentos. Devido ao carisma de Robert Downey Jr. e o grande sucesso de “Homem de Ferro”, seu personagem ganha um pouco mais de destaque. O tempo cômico do ator é ótimo, seus diálogos afiados e a interação com os outros da equipe, especialmente o Dr. Bruce Banner, rendem os melhores momentos de humor do filme. Mark Ruffalo foi uma ótima adição ao elenco, sem dúvidas o melhor Banner até o momento. Devido ao seu treinamento militar, o Capitão América acaba virando naturalmente um líder durante as batalhas, dando também um tempo maior de tela para Chris Evans. Mas, como dito anteriormente, todos os personagens tem uma participação fundamental na história, incluindo o Gavião Arqueiro e a Viúva Negra (Scarlett Johansson, bela como sempre).

A direção de Whedon é segura, comandando bem as grandes cenas de ação da parte final, sem abusar do excesso de cortes e movimentos de câmera. O filme é como as próprias HQ’s dos Vingadores: colorido e com muitas sequências grandiosas (que o diretor sabe valorizar, dando um ar realmente épico para as batalhas). Além disso, sua experiência como criador e diretor de séries de TV, como “Firefly”, ajuda na hora de trabalhar uma trama com tantos personagens, mesmo que ele realmente passe sem deixar uma marca autoral, algo que na verdade até faz parte da estratégia da Marvel para dar uma unidade aos filmes de seus heróis (apenas o clima mais retrô do filme do Capitão América destoa dessa “identidade visual” criada pelo estúdio).

O resultado é um filme extremamente divertido (capaz de arrancar até palmas e outras reações mais eufóricas da plateia), cheio de referências que o seu público exigente (os “nerds”, fanáticos pelas HQ’s) irá adorar ver nas telas, provavelmente existem muitas outras que eu não consegui captar, além de referências cinematográficas, como a participação do grande diretor polonês Jerzy Skolimowski.

Com muito humor, aventura e competência, a Marvel mostra que, mesmo sem grandes pretensões artísticas, ainda é possível criar entretenimento com qualidade.

por Leonardo Ribeiro

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Sobre Leonardo Ribeiro

Redator publicitário desde 2007 e cinéfilo desde sempre. Da tentativa de unir minha profissão e minha paixão nasceu o Blog, com o sonho de que as duas coisas tornem-se uma só. Quem sabe assim poderei multiplicar a DVDteca de 500 para 5.000 títulos. Escrevo também para o site Cult Cultura e estou sempre em busca de aprimorar o meu conhecimento na sétima (e minha favorita) arte. Ver todos os artigos de Leonardo Ribeiro

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